"Preste atenção nessa história que eu vou lhe contar.
Essa história que eu conto é pra fazer pensar.
No altar da Igreja, um belo dia, chegou o sacristão, com a vassoura, a pá e o pano pra limpar o chão.
E lá chegando encontrou um palhaço a brincar, equilibrando uma bola com seu calcanhar.
E entre risos o palhaço escorregou no chão.
E terminando a cambalhota viu o sacristão.
Mas que vergonha! O que é isso? - Disse o sacristão.
Onde se viu fazer bagunça aqui?! - Lhe disse então.
Mas o palhaço sorriu e disse a cantar:
- Eu sou palhaço e brincando é que eu sei rezar! Como você, o que tenho pra oferecer! Igual a você, o melhor para oferecer pra Deus!
Essa palavra, então por fim, calou o sacristão.
Ele lembrou que o melhor se dá de coração.
E o palhaço, alegremente, assim se despediu.
Numa pirueta louca e um pulo, ele partiu.
Mas o que nem sacristão e nem palhaço viu...
É que a imagem do Menino Jesus sorriu!"
Essa é uma música do Grecco. A primeira vez que a ouvi, tinha uns 10 anos..e cantei com meus irmãos numa Feira da Providência (hoje Exponatal), num show para as crianças, foi tipo um teatro cantado. Lembro que ainda naquela época essa música mexeu muito comigo. Não entendia direito, só sabia que podia dar o que eu tinha pra Deus e tentar amá-Lo.
Hoje trago essas palavras para o blog, porque elas dizem respeito ao que é inerente ao homem, toca naquilo que é mais profundo em nosso ser (corpo e alma): a nossa identidade. A nossa identidade que não é simplesmente quem nós somos, mas quem Deus nos criou pra ser, o que Deus pensa de nós. Nós não somos por nós mesmos, mas por Aquele que aceita uma simples cambalhota e uma bola equilibrada no pé porque é o que temos de melhor pra dar pra Ele. Nós nos perdermos num desejo de amarmos a Deus de forma perfeita, e acabamos por nos desesperarmos ao nos encontrarmos com nossas limitações, enquanto Ele espera que nós demos o que temos, o nosso nada, o nosso imperfeito, para que nEle sejamos plenos. O pior é que quanto mais nos frustamos com as nossas fraquezas, mais nos afastamos do nosso verdadeiro Eu, do que temos e somos desde toda a eternidade. Precisamos aprender desse palhaço o assumir quem somos diante de Deus, e quem Deus é para nós. Assim, não há miséria nenhuma que nos impeça de sermos quem somos, filhos amados, livres, que, sendo palhaços, assumem o seu ser-diante-de-Deus, e a Ele ofertam suas brincadeiras e palhaçadas.
Quem é você? Quem é Deus? Há quanto tempo você vem se perdendo em ser quem você não é? E há quanto tempo você deseja assumir quem você realmente é?
Sejamos palhaços! Todos palhaços! Se isso é o que torna a Verdade da vida palpável!
No Shalom do Pai, Lia Maia.
(Perdão pela falta de tempo para melhor fazer-me entender!)